Adultos mantêm cordão-umbilical com médicos e ainda visitam pediatra
A advogada Maria Beatriz Rizzo, de 23 anos, no consultório de seu pediatra, o Dr. Sylvio Barros: “sempre que tenho um problema, eu ligo pra ele”
Ao primeiro sinal de uma dor no estômago ou de uma gripe forte, Maria Beatriz Rizzo não pensa duas vezes e liga logo para o seu médico. O fato passaria despercebido não fossem dois detalhes: o especialista ser um pediatra e Beatriz ter 23 anos.
A advogada é paciente do pediatra Sylvio Monteiro de Barros desde que estava na barriga da mãe.
- Sempre que fico doente, eu ligo pra ele e explico o que tenho. Se for algo mais grave, posso até encontrá-lo em algum hospital.
O doutor Barros – ou o “tio Sylvio” – afirma que tem vários “vintões” entre seus pacientes. Todos visitam seu consultório desde a infância.
- Alguns realmente não conseguem cortar o cordão umbilical com o pediatra.
O que explica essa duradoura relação entre médico e paciente – e que faz com que jovens adultos ainda mantenham o hábito de se consultar com o pediatra – é a confiança no médico e seu profundo conhecimento sobre o histórico do paciente. É como explica Sylvio.
- O pediatra é o que restou do antigo médico da família, que visitava os pacientes em casa. Antigamente esse médico fazia parto, cuidava da mãe, das crianças e até dos mais velhos.
Sylvio conta que a maior parte das consultas são por telefone e servem para buscar orientações gerais a respeito de qualquer problema de saúde.
- Pelo telefonema dá para saber se eu chamo o paciente para [o consultório] ou se encaminho [a outro especialista].
Não há qualquer restrição para esse tipo de prática, explica Leda Amar Aquino, do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).
- Não existe proibição porque, quando você se forma em medicina, você é um clínico geral. Então o diploma dá o direito de atender o paciente.
Mas o médico deve avaliar se é capaz, ou não, de atender o paciente.
- Um indivíduo com 20 anos ou mais pode ser acometido por problemas que um pediatra pode dar conta. Mas isso depende de cada profissional se sentir à vontade para tratar ou encaminhar a outro especialista.
“Ele acerta sempre”
O estudante de medicina Fábio Gonçalves Salomão, de 19 anos, não abre mão de se consultar com a doutora Leda. Ele diz que a maioria das consultas é por telefone, mas que vai ao consultório da pediatra pelo menos uma vez por ano.
- A pediatra faz uma consulta geral e indica o especialista, se necessário. A grande vantagem é o conhecimento de todo meu histórico, o que ajuda muito em diagnósticos.
Leda afirma que as visitas dos “vintões” são bem comuns em seu consultório.
- O que acontece e que está além de ser pediatra é a relação estreita entre o paciente e o médico. Eles não se desvinculam porque se sentem seguros.
Uma segurança que surge ao cuidar tanto do corpo como da mente de seus pacientes, diz Sylvio.
- O pediatra é o otorrino, o gastro, o psicólogo da criança. E essa psicologia que a gente faz é que cria o vínculo.
Beatriz até tentou ir a outros médicos “depois de mais velha”, mas disse que a relação é muito diferente, “bem menos íntima”.
- [Para o meu pediatra] eu posso ligo a qualquer hora e pedir orientação. E também é bem mais fácil porque ele acompanhou meu histórico a vida inteira, já sabe o que pode ser ou não. E ele acerta sempre.
FONTE: R7.com